Papo sério

A difícil arte de fazer amigos

March 12, 2009

Sempre tive muita dificuldade em fazer amigos. Sou capaz de bater o maior papo com um taxista ou trocar figurinhas com a vendedora de uma loja, mas se a idéia é estreitar vínculos eu me fecho como uma concha. Sou muito defensiva. Quando eu era criança não sentia falta de amigos porque eu tinha meus irmãos. Depois que cresci tinha o resto da família e fui me acostumando a não ter amigos. Até mudar para os EUA, virar dona de casa e me ver de repente completamente isolada porque não conheço ninguém aqui além do meu marido. 

Até que um dia recebi um convite para me associar a um clube aqui do subúrbio. O interessante nesse clube é que ele tem justamente o objetivo de integrar na comunidade os novos moradores, oferecendo assim diversas opções de interação. Há o clube do livro, o grupo da caminhada, o grupo de culinária, o grupo de mães etc. Eles se encontram para almoços, jantares, passeios, viagens, jogos, entre outros programas. Ocasionalmente fazem trabalhos voluntários. Resolvi tentar.

Confesso que no primeiro almoço que tive com as mulheres fiquei morta de vontade de cancelar, afinal, uma vez bicho-do-mato, para sempre bicho-do-mato. Além disso, eu estava morta de medo de esse grupo ser associado a alguma igreja, o que é comum aqui. Nada contra não fosse o fato de eu ser atéia. Mas lutei bravamente contra minha timidez e fui. Acabei me surpreendendo. Elas são muito simpáticas e demonstram interesse em me integrar ao grupo. Já tenho vários encontros agendados para as próximas semanas.

Para uma pessoa formal como eu, essa coisa de agendar os encontros ajuda muito porque do contrário eu desanimaria de sair de casa. Improvisos nunca foram minha praia, gosto de planejar as coisas com relativa antecedência, assim vou me preparando psicologicamento para elas. Ainda é difícil para mim fazer isso, mas eu vi que nessas duas últimas semanas eu começo a me sentir melhor, muito menos triste. Vou insistir nos encontros com o grupo, até porque, para se adaptar e ser feliz em qualquer lugar é necessário se entregar totalmente a nova vida que você está iniciando. Se você ficar preso a vida que tinha antes vai acabar se isolando e sofrendo como eu.

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  • tatisegalote March 13, 2009 at 10:48 AM

    oi Eliane. adorei seu post, achei super verdadeiro e transparante.
    me identifiquei bastante em alguns sentimentos q vc citou e espero de coraçao q vc consiga superar cada dia mais a distancia da familia e dos amigos.
    eu tenho tentando buscar isso diariamente tb.
    estou passando por problemas serios aqui com meu marido (nada com nosso relacionamento, q vai mto bem obrigada), estamos enfrentando uma barra danada aqui e por isso dei uma sumida do meu blog. mas continuo na minha lida diaria dos blogs q acompanho.

  • Feisty Eli March 13, 2009 at 2:41 PM

    Tati, ha tempos eu queria escrever esse post porque ha meses venho me sentindo mal. Alem disso, percebo que existe esse mito de que se a gente vem para um pais estrangeiro é porque automaticamente sua vida virou um mar de rosas. Ninguem pensa nas dificuldades de adaptacao, socializacao, na mudança profunda que fazemos em nossas vidas e no impacto que isso causa na gente. Mesmo quando se muda pra melhor, ainda assim nao é facil. Tem gente que pode dizer que estou reclamando de barriga cheia, mas so quem muda tanto assim quanto a gente mudou pode falar como é. Desafios sao muitos. Voce e eu temos a felicidade de termos casados com homens bons, que nos amam de verdade, mas ja fiquei sabendo de meninas que comem o pao que o diabo amassou aqui com os maridos delas. Nessas coisas ninguem pensa. Fora essa crise, tanta gente perdendo o emprego e enfrentando dificuldades financeiras. Ou seja, sao muitos os desafios e sei que cada uma de nos enfrenta um dilema diferente. Nao sei o que voces estao enfrentando ai mas desejo de coracao que as coisas melhorem. Se voce quiser bater um papo por email pode me escrever quando quiser ou achar que precisa: lollapaolla@hotmail.com… Uma coisa que percebi que voce tem e acho legal é bom humor. Eu sou pior com isso. Acho legal gente que enfrenta as dificuldades (quaisquer que sejam elas) com otimismo. Nao perca isso nunca, Tati! Beijao

  • Bia March 14, 2009 at 12:09 AM

    Elaine, a minha irma q mora na Suiça é meio q nem vc em relação a amizades, já aqui no Brasil ela não tinha mtas e agora q mora fora sente mto dificuldade para fazer novas, e o pior é q ela não se esforça mto (ela diz q sim, mas eu sei que nao!)… Minha mae morrer de preocupação daqui… eu acho q o problema maior dela é não aceitar a realmente se adaptar. Um dia ela consegue, espero!

    E legal essa sua ideia dos clubs, deve ser a melhor maneira de firmar amizades por ai!

    bjos

  • tatisegalote March 14, 2009 at 3:28 AM

    pode deixar q eu nao vou ficar te alugando com meus problemas aqui nao, ninguem merece gente se lamentando do teu lado…rs
    mas o q posso dizer é q crise tá pegando e pegando mtooooooo e ta mto dificil de controlar.

  • Feisty Eli March 14, 2009 at 6:34 PM

    Bia, parece sua irma e eu somos parecidas mesmo, porque imagine alguem bicho do mato? Sou eu. No Brasil eu ja era assim. Se alguem diz: Vem ca que quero te apresentar alguem, ja dava um jeito de sair correndo. Espero que sua irma encontre um jeito de conhecer novas pessoas onde ela mora de jeito que fique no meio-termo entre o que ela necessita e sua personalidade. É o que estou tentando com esse clube.

  • Cristiane March 25, 2009 at 2:35 AM

    Gostei muito da sua postagem. Acredito que eu sou muito parecida com você porque também tenho dificuldades de fazer amizades. Em pouco mais de um ano, tenho apenas uma amiga, sem levar em conta minhas duas cunhadas porque não somos muito próximas (por minha causa porque elas são uns amores). Eu também não gosto de conhecer gente sem ter me preparado psicologicamente antes.
    Mas, depois de passar por essa depressão que você também teve, mais o fato de me sentir perdida profissionalmente, a saída que achei foi a dica da minha sogra de fazer serviço voluntário. Desde que comecei a trabalhar na Cruz Vermelha, o meu humor mudou bastante. Conheci muitas pessoas, mas amizade mesmo até agora esta sendo “construída” com duas chefes que tenho. Já fui almoçar com ambas, separadamente, e até aceitei de ir a um encontro da comunidade japonesa que uma das minhas chefes me convidou (ela tem descendência japonesa). Há um tempo atrás, eu jamais teria aceitado, mas acredito que será algo bem divertido (será open bar de comida japonesa que eu amo!!).
    Por que você não tenta fazer serviço voluntário? Na hora da entrevista, você pode fazer como eu e dizer que prefere fazer um tipo de serviço mais isolado, sem grandes grupos ou pessoas ao seu redor. Deu certo para mim, e tcharan!, virei assistente dessa chefe que foi quem fez a entrevista comigo!
    Agora estou ganhando experiência e tendo o que fazer fora de casa!
    Beijos

  • Si Hüneburg November 17, 2010 at 12:24 PM

    Interessante…apesar de um pouco tímida no início, eu me considero uma pessoa bem extrovertida, falo muito, rio muito mas de amigos nunca senti muita falta.No Brasil tenho pouquíssimos, na Alemanha até agora nenhum.O lance é que eu sinto que gosto de ter mesmo é “colegas” e “parceiros para atividades”, para uma festa, um barzinho, pra malhar junto…Fico muito tempo, mas muito mesmo, sem manter contato, pq gosto de fazer as coisas quanto sinto vontade de faze-las e nao pra cumprir portocolo ou sair bem na fita, e minhas poucas amizades sao aquelas que nao se importam com isso, que quando nos falamos ou nos encontramos, tudo está como antes, sem cobrancas.Fundamental mesmo, sempre foi minha familia (leia-se pais e irmaos), pois esses sim, me amam INCONDICIONALMENTE sempre e do jeitinho que sou e sei que estarao sempre de bracos e coracao abertos para me receber sempre que eu precisar voltar.Esses sim, sao amigos do peito!

    • Feisty Eli November 17, 2010 at 5:24 PM

      Ah, esse comentario poderia ter sido escrito por mim. Eu tenho a minha familia, entao nunca senti falta de amigos muito proximos. E tambem gosto dessa liberdade que o isolamento me traz, de fazer o que eu quero, quando quero, do jeito que eu quero. Mas quando a gente muda para outro pais é como voltar a engatinhar e estou tentando (me forçando) a ter alguma vida social por aqui. Mas, nao, nao estou procurando necessariamente amigos intimos. Ja tenho duas e elas me bastam. Beijo