Cotidiano Health Papo sério

Pai que participa

December 4, 2014

As coisas continuam difíceis por aqui. Esta semana tivemos que levar os meninos ao médico, em caráter de emergência, porque eles não estavam bem. Como contei no meu último post, ultimamente eles têm ficado doentes com inquietante frequência. Nada sério ou preocupante, mas estamos todos angustiados e exaustos com isso.

Fui buscar o Oliver na escola terça-feira passada e a professora me contou que ele teve diarréia e reclamou com ela que a barriga estava doendo. A diarréia foi tão brava que as professoras tiveram que trocar toda a roupa dele, inclusive blusas e meias. Quando eu o peguei no colo percebi logo que ele não se sentia bem. E que tinha tido diarréia de novo.

Chegando em casa, dei banho nele, dei almoço para os dois e logo depois ele teve outra diarréia. Dominic a mesma coisa. E só piorou. Liguei então para meu marido no trabalho e ele veio correndo para casa para levarmos os meninos ao médico. Exame daqui, exame dali (deu tudo negativo, felizmente), constatou-se que é só uma virose que o Oliver provavelmente pegou na escola, passou para o irmão e por isso, desde o começo do mês passado, eles têm tido sintomas de febre baixa, dor de garganta, tosse, nariz escorrendo, falta de apetite… e diarréia.

As últimas duas noites foram terríveis. Não pregamos o olho porque a diarréia do Oliver estava fora de controle. Nós o levamos para nossa cama, mas ninguém conseguiu dormir porque ele acordava no meio da noite reclamando que “my tummy hurts” e tínhamos de levantar para cuidar dele. Com essa cagação toda, o coitadinho ganhou a pior assadura da vida dele e cada vez que precisamos trocá-lo ele grita de dor e fica super bravo.

Passamos a primeira noite acordados, levando ele da nossa cama para a banheira para lavá-lo porque a assadura chegou a tal ponto que a pele dele estava em carne viva e não tinha mais condições de só limpar. Nem ele suportava a dor. Que angústia ver seu filho sofrer desse jeito! Claro, tem problemas de saúde muito piores? Absolutamente. Mas como mãe você não suporta ver seu filho sentindo dor nenhuma, ainda mais numa idade em que eles não entendem quase nada e nem conseguem verbalizar direito o desconforto que estão sentindo.

Ontem meu marido trabalhou de casa para me ajudar, mas as coisas não foram muito diferentes do dia anterior. Felizmente, a diarréia e os sintomas de gripe do Dominic melhoraram e ele voltou a comer como um touro e a correr pela casa, como sempre e do jeito que tem de ser. Oliver, por outro lado, continuou tendo forte diarréia o dia todo e não teve muita energia para brincar. Só queria colo. Para comer, só eu dando na boca.

Quando ele finalmente dormiu, corri para a cozinha e fiz um monte de comida, já me preparando para as horas seguintes, que eu sabia, seriam difíceis. Quando os meninos ficam doentes eles só querem colo e é muito difícil para eu cuidar da casa e cozinhar carregando uma criança de 15.5kg para cima e baixo. Quando ele acordou, comeu um pouco, brincou um pouco, mas a rotina de diarréia, lavar a bunda, choros e gritos continuou noite afora.

Hoje meu marido foi trabalhar e uma babá veio ficar com o Dominic para eu poder me dedicar só ao Oliver. Estamos no piloto automático, zumbi mode. A diarréia do Oliver está melhorando, está spacing out, mas a assadura ainda causa muito desconforto nele, apesar de cuidarmos direitinho. A expressão no rosto dele, cada vez que a barriguinha dói, acaba comigo. Ele pede colo e quando vou tirar a fralda, fala: “Mommy, be careful with my butt, please”! 🙁

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Long story short… Eu não sei como eu daria conta de tanta coisa sem o apoio e suporte do meu marido. Quero dizer, é claro que eu daria conta. Mas faz uma diferença enorme ter do meu lado um marido que é também um pai maravilhoso e dedicado. Eu sempre brinco que com exceção de amamentar, ele faz e sempre fez tudo que eu faço: troca fralda, dá banho, dá comida, coloca pra dormir, acorda no meio da noite para cuidar deles, lava roupa, lava louça, guarda brinquedo, limpa as sujeiras deles, faz tudo.

Certa vez, no Brasil, um amigo meu ficou chocado quando descobriu que meu marido trocava fraldas. Esse amigo tem 2 filhos mas nunca trocou a fralda de nenhum deles. Meu marido é que ficou chocado quando descobriu isso. Para a gente, esse apoio mútuo é algo que aconteceu naturalmente, porque nunca existiu a possibilidade de um arranjo diferente. Nunca precisamos sentar para definir tarefas domésticas. Nunca discutimos quem faz mais ou quem faz menos. Fazemos juntos, revezamos, trocamos, ajudamos um ao outro.

Como aceitar alguém que te ofereça menos do que isso? Sei que o comum é um pai que não faz metade dessas coisas, apesar de que eu acho que isso está mudando. Felizmente. Num mundo em que empregados domésticos se tornam cada vez mais escassos, seja porque ninguém mais quer esse tipo de emprego, seja porque quase ninguém mais pode pagar por esse tipo de funcionário, a verdade é que as famílias modernas estão tendo de se organizar de uma forma diferente, uma em que todos colaboram com as atividades domésticas e os pais dividem os cuidados dos filhos com as mães.

Eu já sabia que meu marido seria um bom pai desde a época do namoro. O pai dele cuidou dele da mesma forma que ele cuida dos nossos filhos. Meu sogro é bem idoso e meu marido é um filho zeloso. Mesmo o pai morando longe, eles se falam todos os dias e daqui ele administra a vida toda do pai dele, da saúde às finanças. Por isso eu não me surpreendi com as qualidades dele como pai. Na verdade, escolhi ele para pai dos meus filhos porque sabia que ele seria um pai presente e participativo, envolvido em todos os aspectos da vida dos nossos filhos, inclusive as mais rotineiras e ordinárias como trocar fralda e lavar roupa.

Ele tem trabalhado muito de casa. Felizmente ele trabalha em uma empresa flexível que permite que ele fique em casa em dias loucos como estes recentes. Mas tenho certeza de que ele seria um pai presente mesmo sem essa flexibilidade profissional. A babá que tem nos ajudado comentou hoje comigo o quão envolvido ele é, porque ela também trabalha para outras famílias e segundo ela, geralmente, mesmo que o pai esteja em casa, ela precisa seguir uma lista de tarefas deixadas pela mãe porque o pai não tem ideia do que é preciso ser feito e muitas vezes não conhece a rotina da criança. Aqui em casa isso nunca foi necessário. Ele sabe exatamente o que falar e o que fazer porque está tão envolvido nos cuidados diários com os meninos quanto eu.

Não estou endeusando meu marido, ele não é perfeito, mas, gente, como aceitar qualquer coisa menos do que isso? Como fazem as mulheres casadas com homens que só ficam com os filhos para brincar? Como elas fazem quando precisam sair de casa ou ficam doentes? Quem cuida das crianças se o pai nunca troca uma fralda nem sabe preparar uma mamadeira? E aqueles pais que nunca vão a uma reunião de escola ou a uma consulta médica do filho? Claro que cada família tem sua dinâmica e muitas vezes o trabalho do pai dificulta que ele participe de forma mais ativa de algumas atividades relacionadas ao filho. Mas será que este é o caso da maioria?

Meu marido também é bem zeloso comigo. Quando precisei ir ao médico para cuidar da blefarite e da rosácea, nós chamamos uma babá para cuidar dos meninos, ele faltou ao trabalho e foi comigo ao médico porque eu não podia dirigir com o olho estropiado. Ele sempre fez esse tipo de coisa. E é claro que eu faço o mesmo por ele. Não é uma questão de sexo, é uma questão de dedicação e respeito pelas necessidades da sua família, do(a) seu/sua parceiro(a). Porque não entendo um casamento diferente, porque não aceitaria um marido diferente, porque não concebo a ideia de um pai diferente para meus filhos.

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Nós somos sozinhos aqui. Quando os meninos adoecem, como agora, eu não tenho como contar com o apoio da minha família. Nem da dele. Minha família toda está no Brasil, meu sogro mora longe e tem problemas de saúde, não pode ficar viajando para nos visitar, minha sogra já morreu, meu marido é filho único, então não tenho o privilégio de contar com uma mãe, irmão(ã), cunhado(a) ou sogra, alguém para quem eu possa ligar e chamar para vir dar uma força na hora do aperto. Somos só nós mesmo. Se não nos apoiarmos e dividirmos as responsabilidades, como dar conta? A vida ficaria impossível.

Além das crianças, temos a casa, que dá um trabalhão enorme para manter e cuidar. E nisso também meu marido é super participativo. Não cozinha, mas faz todo o resto: lava roupa, espana móveis, aspira e limpa o chão, lava louça, limpa fogão, troca lixeira, joga lixo fora, faz camas, desentope vaso, esfrega azulejo etc. Óbvio que faço todas essas coisas também, além de cozinhar, mas o que quero dizer é que fazemos tudo juntos, dividimos tudo, numa divisão invisível de tarefas onde nunca foi preciso definir quem faz o quê.

A melhor parte disso, para mim, é ter esse modelo de pai como o pai dos meus filhos. Eles estão crescendo e vendo que o pai também assume, com naturalidade, responsabilidades dentro de casa, que homem também limpa privada e aspira o chão, que tarefas domésticas não conhecem sexo e que todos na casa devem se ajudar e compartilhar responsabilidades. E assim, com 2 e 3 anos, respectivamente, Dominic e Oliver já aprenderam a jogar a roupa suja no cesto e a guardar os próprios brinquedos. O Oliver já ajuda a pôr a mesa, o Dominic joga o lixo na lixeira. A gente ensina, claro, mas faz toda a diferença o exemplo dos pais.

O resultado disso tudo é o vínculo que meu marido tem com os meninos. A felicidade em que eles ficam quando o pai volta pra casa ou quando ele senta no chão para brincar com eles. Agora que estão maiorzinhos o pai às vezes os leva para passear, só os três, tipo clube do Bolinha. Eu não me sinto excluída de forma alguma. Acho maravilhoso esse tempo dele sozinho com as crianças para se divertirem. Meu marido ama. Eles amam. Faz com que o vínculo pai-filhos fique ainda mais estreito.

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  • Mari December 5, 2014 at 9:15 AM

    Melhoras para os meninos!
    Aqui em casa é assim: se só mora um casal, sempre é a vez da mulher lavar a louça!
    Kkkkkkk
    Parabéns pelo maridão.

    • Feisty Eli December 5, 2014 at 11:44 AM

      HAHAHAHAHAHAHAHA

  • Renata C., UMA ESPOSA EXPATRIADA December 5, 2014 at 10:41 PM

    Querida Amiga! Que dificil! Tenho pensado tanto em vc, na Familia! Sinto falta de vc no Face. Meu PC e meu laptop nao estao bons. O PC mortinho! Dai pelo celular acabo nao navegando muito!
    Meu grande beijo! Espero que tudo melhore logo e que vcs tenham um otimo Natal.

  • Rose December 7, 2014 at 11:07 AM

    Olá, leio sempre o seu blog mas não sei bem como fazer comentários. Sou uma senhora de 68 anos e avó de duas lindas meninas alemães com pais brasileiros. Sei bem como é difícil quando os filhos ficam doentes e não se tem parentes por perto pra dar uma ajudinha, minha filha passa volta e meia por isso. O meu genro também ajuda bastante, talvez nem tanto quanto o seu mas ele foge a regra dos maridos brasileiros. Os homens brasileiros são paparicados pelos pais (com algumas exceções ) e ficam mal acostumados. Vocês estão de parabéns por tudo, como casal e pais maravilhosos. Espero e torço que suas lindas crianças sarem logo. Um carinhoso abraço.

  • Eloise December 8, 2014 at 3:25 PM

    É aquilo que sempre falamos Eli, casa em que todos ajudam nao fica tao pesado para ninguém, sem contar que a cumplicidade se revela no cuidado do dia-a-dia. Isso é amor, porque mostra o carinho de um pelo outro, o zelo, e no final é isso que conta. Os meninos aprendem com o exemplo e pode ter certeza que esse tipo de atencao permanecerá até o fim. Beijos. PS. cada vez que lavar o bumbum do Oliver aplique maisena (starch) pura, que ajuda a cicatrizar mais rápido e evita coceira e ardência.

    • Feisty Eli December 9, 2014 at 10:42 AM

      Eu nem quero imaginar como as coisas seriam sem meu marido dividir as tarefas. Provavelmente não estaríamos casados mais. rs. A diarreia do Oliver está melhorando aos poucos, mas a assadura sarou, felizmente. Minha mae sugeriu maizena também. Obrigada pela dica, Eloise. Rough month por aqui. Espero que tudo esteja bem por aí. Um beijo

    • Feisty Eli December 9, 2014 at 10:44 AM

      Ei, lembrei de você ontem porque o Oliver está aprendendo sobre o Hanukkah esta semana na escola. Eles estão fazendo uma Menorah, mas ele diz que só quer se for vermelha. Oh well. rs

      • Eloise December 13, 2014 at 1:59 PM

        Que lindo, acho que a cor favorita dele é o vermelho…. kkkk Que vontade de encher de beijos esse menininho lindo e fofo!

  • Célia December 8, 2014 at 3:36 PM

    Eliane, que tudo fique bem logo! Que ótimo que você tem essa ajuda valiosa do seu marido! Vocês sozinhos para tudo não deve ser nada fácil, mas o importante é que vocês dão conta do recado e tudo vai se organizando! Um beijo!

    • Feisty Eli December 9, 2014 at 10:40 AM

      Obrigada, Célia. Realmente não é fácil, mas seria bem pior se eu tivesse de fazer tudo sozinha. Ufa. Beijo

  • Lúcia Soares December 27, 2014 at 12:42 PM

    Que sufoco, Eliane.
    Criança, até os 5 anos de idade, adoece mesmo. Seja pela imunidade se firmando ainda, seja por contato direto, quando estão na escolinha. e tb, óbvio, justamente por causa dessa imunidade ainda em formação. Por volta dos 5 anos tudo muda, fica uma maravilha! Tomara que os seus sejam precoces quanto a isso, né?
    Minha filha mais velha, que tem 3 meninos, já sabe vários procedimentos que experimenta antes de levar ao médico. Antibióticos, por ex., são raros por lá. Febre não a assusta nem um pouco. Enfim, só se durar mais de 3 dias ou se os meninos prostrarem, senão não vai mesmo ao médico. Mas isso é de cada um. A segunda filha, que tem uma filha, leva ao médico por qualquer ‘coisinha’, até de pele, pq o ex-marido é chato e cobra tudo. rs
    Meu genro também só não deu de mamar no peito, é de grande ajuda com as crianças e cozinha, mas casa não é com ele.
    Meu marido é da turma dos que nunca ajudou…Mas eu dava conta, sempre tive ajudante em casa. Para mim, ter quem cuide da cozinha e de passar a roupa, é um alívio. Do resto dou conta, ou dava, quando os criava. Beijo nesses pititinhos lindos.

    • Feisty Eli December 28, 2014 at 11:09 AM

      Nós fazemos como sua filha, Lúcia, a gente só leva ao médico em último caso, quando os remédios caseiros e de farmácia não funcionam. Na verdade, aqui nem se tem essa opção de levar a criança ao médico o tempo todo porque eles não marcam consulta assim, a hora que a gente quer. Todos os consultórios têm, além do médico, enfermeiros, então quando a criança adoece você pode ligar e falar com a enfermeira. Ela sugere tratamentos e remédios, tudo isso sem a criança ir ao pediatra. Só quando nada funciona é que eles concordam em marcar uma consulta. No caso dos meninos, eles já estavam doentes há um mês quando finalmente os levamos ao médico. A febre não é determinante, mas o desconforto deles em geral. Felizmente já estão melhores. Foi um mês puxado por aqui. Beijo

    • Feisty Eli December 28, 2014 at 11:15 AM

      Acho que no Brasil a maioria dos homens pode até concordar em ajudar com os filhos, mas geralmente não com a casa, né? Eu acho que não funcionaria pra mim alguém que não me ajudasse com os dois. A gente tem faxineira, mas é só uma vez por semana. E a faxineira não faz cama, não lava roupa, não cozinha, não lava louça, não passa roupa. Temos que nos ajudar senão fica difícil. Mas claro que pra cada família um modelo. Beijo, tô com saudade de você e da Rê, mas voltar pro Facebook só quando as coisas por aqui se acalmarem. Estamos tentando contratar uma nova babá mas está muito difícil de achar alguém legal. Um beijo grande!