Dominic Family Oliver Papo sério

Menino não é gente

November 9, 2015

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Dominic chegou em casa hoje com a cara arrebentada porque ficou rodopeando pela sala de aula e bateu com a cabeça na parede. Não foi nada grave, ele está bem agora, mas a professora me deu um relatório completo, por escrito, descrevendo onde e como o acidente ocorreu e que ações a escola tomou depois. A professora ficou meio surpresa com minha reação tranquila quando fui informada do ocorrido. Claro que beijei, fiz carinho, dei colo e vou ficar de olho nele hoje já que ele bateu a cabeça, mas sei que ele vai ficar bem. Estou acostumada com traquinagens como essa. Porque menino não é gente.

Dizem que meninos são mais atentados que meninas, que eles são mais energéticos e fisicamente ativos. Outros afirmam que isso não tem nada a ver, que há meninas tão ou mais endiabradas que meninos. Olha, vou ser honesta com vocês, se meninas assim de fato existem eu não sei, já que não sou mãe de menina, mas se existirem elas devem ser as exceções que confirmam a regra, porque eu nunca conheci uma menina mais danada que meus moleques. hahahaha. É sério, eles são fogo na roupa.

Gosto de observar meninas brincando. As mais maluquinhas gostam de correr e pular como os meninos, elas também gritam, elas também fazem pirraça, elas também sabem ser bocudas. O que é diferente, de acordo com minha percepção (que, aviso, pode estar equivocada), é a frequência e a intensidade com que isso ocorre. Durante playdates, por exemplo, observo que elas conseguem se concentrar por mais tempo numa atividade só, enquanto os meninos ficam entediados depois de 2 minutos fazendo a mesma coisa e vão colocar fogo na casa.

As reações, geralmente, também são diferentes. Quando bravas, elas ficam manhosas e choram muito. Menino bravo fica mais agressivo. Mas aí é que tá. Acho que a personalidade da criança conta mais que o gênero. Meu filho mais velho é mais concentrado e quieto, então ele consegue passar muito tempo dedicado a uma atividade só. Acontece que ele tem uma personalidade super forte e isso exige de nós poder de negociação e muita paciência. Já meu caçula é um diabrete que tem formigas na cueca. Ele não vai ficar sentado brincando nem por um minuto se você pedir. Não à toa, ele se machuca muito mais que o irmão e está sempre se metendo em apuros. Em geral, porém, ele é mais complacente, desafia menos.

Par ser justa com o Oliver, percebo como ele está ficando mais fácil de lidar agora que está mais crescido, enquanto que o Dominic está entrando naquela fase terrível dos Terrible Threes, em que ele começa a perceber que é um indivíduo separado de mim e que assim sendo pode dizer “não” e contrariar o que a gente fala. E, ah, como ele tem nos contrariado. O bichinho bate o pé, cruza os bracinhos e fala que “não” isso, que “não” aquilo. Tem rolado muito power struggle aqui em casa. Ei, eu não reclamava ontem mesmo que meu mais velho estava agindo da mesma forma? Oh well.

Já ouvi dizer que meninos ficam mais fáceis de lidar depois que crescem, enquanto que meninas se tornam mais difíceis, principalmente na adolescência. Será que isso é verdade? Eu quando criança me jogava no chão, esperneava e prendia o fôlego até desmaiar durante as pirraças mais brabas. Eu fui uma menina peste e piorei na adolescência. Porque menina adolescente é o cão. Trust me. Elas ficam insuportáveis. E a brigaiada com a mãe? Eu mesma só melhorei depois de adulta. Já meu irmão foi aquele menino tranquilo que nunca deu trabalho para os meus pais em fase nenhuma. Percebem o que estou falando?

Tudo isso dito, a verdade é que eu adoro ser mãe de menino. Não conheço outra realidade e estou muito feliz com a que tenho. Antes de ter filhos eu sonhava em um dia ser mãe de menina. Aí casei, engravidei e isso simplesmente deixou de importar para mim. Ninguém acredita quando conto que meu marido e eu não tínhamos preferência por um sexo ou outro. Todo mundo achava que eu queria menina e que ele queria menino.  Nós dois ficamos absolutamente extasiados de felicidade quando descobrimos que íamos ter um menininho.

Aí engravidei do segundo e, novamente, toda aquela expectativa (dos outros, não nossa) de termos uma menina, “para formar um casal”. De onde as pessoas tiram essa ideia de que todo mundo quer ter um casal? Meu filho mais velho estava com 3 meses, eu tão apaixonada pela maternidade e por ele, tão surpresa com a gravidez relâmpago do segundo (que foi planejada para aquele ano, mas não para aquele mês), que achamos muito natural ter outro menino. Foi como dar continuidade a algo que já conhecíamos e com que já estávamos acostumados.

Evidentemente, teríamos ficado igualmente felizes se tivéssemos tido duas meninas ou um casal. O sexo do bebê nunca fez diferença para nós e incomoda muito meu marido quando as pessoas fazem comentários que insinuam que ele é um homem mais realizado por ser pai de meninos porque “todo homem quer ser pai de menino”. Será que isso é verdade? Certamente, não para o pai dos meus filhos. Tenho certeza de que ele seria um pai de menina igualmente apaixonado e dedicado. Porque ele é super dedicado a nossos filhos.

Se nós sentimos falta de ter uma menina? Não, de forma nenhuma. Por mais difícil que seja para as pessoas acreditarem, se eu tivesse um terceiro filho, novamente o sexo do bebê seria insignificante para mim e tenho certeza de que para meu marido também. Nós só queremos nossos filhos saudáveis e felizes. A ideia de ter uma menina é adorável, mas ser mãe de menino é tão bacana também. Tem gente que nos pergunta se não vamos “tentar” uma menina. E eu pergunto de volta: como que se “tenta” um sexo ou outro?

Sinceramente, acho muito estranho aqueles pais que têm uma renca de filhos na tentativa de ter uma criança com o sexo que eles consideram ideal. É como se os filhos que vieram antes, os do sexo “errado”, fossem um equívoco na vida deles. O tipo de coisa que confunde as crianças – as do sexo indesejado e a do sexo ideal – e que eu não consigo entender. E às vezes me pergunto por que as pessoas gostam de inventar dilemas desnecessários que fazem com que elas e outros sofram como resultado disso.

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  • Lúcia Soares November 9, 2015 at 10:00 PM

    Um texto ótimo, gosto de como vc fala, nem um pouco “dona da verdade” e endeusando a maternidade e os filhos.
    A vida de todo mundo que lida com crianças é mais ou menos igual, criança é universal, né? rs
    Seus meninos são crianças saudáveis, felizes, que gastam a energia como mais gostam, que é bagunçando mesmo.
    A família “ideal”, na cabeça de muita gente, é a de pai, mãe e um casal de filhos. Família “margarina”, né?
    Depois de ter duas meninas, claro que quis muito ter um menino, “para variar” e como era minha última gravidez, torci muito e ganhei um menino. Acho uma delícia criar qualquer dos dois gêneros, dei certo com os dois. rs
    Beijinhos nos meninos e em vc, Eliane.

    • Feisty Eli November 11, 2015 at 10:35 AM

      Nem dá para ser dona da verdade, né, Lúcia? A gente sabe como essa jornada da maternidade pode ser difícil às vezes e acho importante não colorir demais porque mais pessoas se identificam quando a gente se permite ser aberta e falar a verdade. Seus filhos e netos são lindos, sinal de que foram bem criados por vocês. Só uma pergunta, você teve duas meninas e um menino. Percebeu alguma diferença entre as meninas e/ou entre elas e o menino? Beijo, querida.

      • Lúcia Soares November 11, 2015 at 3:59 PM

        Eliane, tive bastante cuidado para não criá-los com “isso é coisa de menina” ou “isso é coisa de menino”. Em casa com duas meninas, sendo ele o caçula, claro que o “universo” dele tendia a ser mais para o feminino, o pai ficava de olho, não deixava que ele brincasse com nada delas. rs Mas eles foram criados em casa, mais livres, ainda viveram aquela fase de trazer amigos para casa, quando mais velhos deixei dormir algumas vezes em casa de primos, e recebia amigos aqui tb para dormir. Minha filha mais velha era geniosa, a do meio era “da paz” e o menino era a alegria em pessoa, era o xodozinho delas, embora as diferenças de idade fossem pequenas. 3 anos da mais velha e 1 ano e 4 meses da segunda. Criados juntos, sem nenhuma regalia, se tinha que ajudar em casa, obrigação de todos. O que notei de diferente foi na idade deles já adultos. Infelizmente ainda há a cultura do “homem tudo pode” e mesmo sem querer, ele teve mais liberdade, sim, do que elas.
        Beijo.